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Mestres em Educação da UFRN discordam das escolas de Natal ao utilizar ranking do Enem

15/01/2018 12:08 PM


Muitas escolas de Natal utilizam o marketing de um ranking do resultado do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) de 2017, já encerrado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), uma autarquia federal vinculada ao Ministério da Educação (MEC). Em setembro de 2017, o INEP, responsável por todo o processo seletivo do ENEM, anunciou oficialmente que não liberaria mais as médias por escola, tendo em vista que os números apresentados estavam sendo utilizados, principalmente pelas redes particulares de ensino, como propaganda, divergindo completamente da proposta do Instituto. No entanto, escolas particulares de todo o Brasil permanecem tabulando dados e apresentando resultados duvidosos, em matérias reveladoras da Folha de São Paulo e Estadão, mês passado, com os resultados parciais das provas de novembro último.

Segundo a Folha de São Paulo e o Estadão, nas reportagens reveladas, várias escolas do país apresentam números de alunos inferiores ao real número de estudantes presentes e frequentes em sala de aula, incompatível com o número de inscritos para o ENEM, divergência que reflete diretamente no percentual de aproveitamento e médias que são decisivas para o ranking já encerrado pelo MEC em setembro de 2017.

Nos estudos realizados pelos jornais, as duas maiores médias do país foram do Colégio de Aplicação Farias Brito, em Fortaleza (CE) e o Objetivo Integrado, em São Paulo. No entanto, já se sabe que o Aplicação é uma unidade feita apenas por alunos selecionados desde o 6º ano e que vêm apresentando as melhores notas.

Para o professor e mestre em educação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Rogério Alves dos Santos, é importante considerar alguns fatores na hora de escolher a escola dos seus filhos e filhas, pois nem sempre as escolas que apresentam as melhores notas são, necessariamente, as “melhores escolas”. E acrescenta, “Ter como parâmetro apenas o ranking da escola no Enem não é suficiente para a escolha da escola mais adequada, isso mesmo pais, ao invés de procurar a melhor escola, orientados por indicadores insuficientes em si mesmos, busquem a escola mais adequada para atender às necessidades dos seus filhos”.

Para a psicóloga e também mestre em educação da UFRN, Gisele Oliveira, os pais devem avaliar bem mais que a formação acadêmica oferecida aos alunos, tal como a preparação para o Enem, o ensino de línguas, entre outros fatores decisivos para formação do cidadão.

“O que não se pode perder de vista é a formação humana, pois é nesta escola que o filho ficará boa parte do tempo e é lá que a criança/jovem irá adquirir valores, desenvolver sua personalidade e aprender a se relacionar com os outros. Conhecer a escola e sua filosofia de ensino deve ser também um fator a ser considerado pelos pais na hora da escolha, não o método de escolas usarem como marketing um ranking já encerrado pelo MEC do Enem”, explica Gisele.

Afinal, será que a nota do ENEM deve ser o único ponto abordado pelos pais para escolher a melhor educação para os seus filhos?

Fonte: Blog do BG

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